quarta-feira, 29 de setembro de 2010

J F SABOR em Juiz de Fora

 
Começa em Juiz de Fora o Festival Gastronômico JF SABOR e o Procopão, o Bar da Tentação, está patrocinando esta chamada do festival.
Vale a pena conferir quem estiver por Juiz de Fora.
Abraços e degustem à vontade!

Cláudia e Ele - um amor quase impossível

Hoje falei com ele...
Telefonei ofegante, com medo do que viria. 

- Alô...
- Oi, quem é? Cláudia? 
- Oi, liguei pra saber se você está bem. 
- Estou bem, como os mesmos problemas de sempre...
- Ontem não consegui falar com você. Dormi cedo. Deixei uma mensagem pra você...
_ Ah, eu vi hoje cedo no msn...

Ele estava (online escondido no) offline, me viu e não me chamou para conversar. Se não quer nada comigo, por que insisto, meu Deus? - Penso eu no instante, quando ele me disse, que leu meu recado.


Pensei por que ainda procuro esse amor sem nexo, sem retorno, pingando de longe uma carícia, uma palavra que não vem do jeito que quero... Um retorno que não acontece.
Pegunto a mim mesma por que somos inseguras em novas conquistas. Sei lá.


_ Então é isso... Só liguei pra saber como você está, pois ontem disse que estava chateado.

_ Tá tudo bem. Estou no trabalho. De noite a gente se fala. Você está com uma voz triste. Não quero ver você triste. Não fica triste, tá?



- Tá. (Monossilábica e terrivelmente triste respondia) Então de noite... (Minha voz embargada, já escapando um choro sufocado de descaso de um amor mal resolvido, de tantos que existem por aí.)


_Beijos... (E ele desligou).

Fico pensando nele e choro. Ouvir sua voz já foi bom... 
Mas que coisa é essa de paixão à distância. Loucuras da carência humana, via internet. E olha que nos conhecemos, somos da mesma cidade e ele mais velho 9 anos que eu. E vem aqui neste fim-de-semana, dizendo vir ver a mãe e à mim. 
Diante de tal circunstância, meus nervos se movem querendo leveza e vou buscar os textos-poesia de Lya Luft, pra dizer em meu nome, o que eu, na amargura do desdém, não consigo escrever.


Canção das mulheres - Lya Luft

Que o outro saiba quando estou com medo, e me tome nos braços sem fazer perguntas demais.

Que o outro note quando preciso de silêncio e não vá embora batendo a porta, mas entenda que não o amarei menos porque estou quieta.

Que o outro aceite que me preocupo com ele e não se irrite com minha solicitude, e se ela for excessiva saiba me dizer isso com delicadeza ou bom humor.

Que o outro perceba minha fragilidade e não ria de mim, nem se aproveite disso.

Que se eu faço uma bobagem o outro goste um pouco mais de mim, porque também preciso poder fazer tolices tantas vezes.

Que se estou apenas cansada o outro não pense logo que estou nervosa, ou doente, ou agressiva, nem diga que reclamo demais.

Que o outro sinta quanto me dóia idéia da perda, e ouse ficar comigo um pouco - em lugar de voltar logo à sua vida.

Que se estou numa fase ruim o outro seja meu cúmplice, mas sem fazer alarde nem dizendo ''Olha que estou tendo muita paciência com você!''

Que quando sem querer eu digo uma coisa bem inadequada diante de mais pessoas, o outro não me exponha nem me ridicularize.

Que se eventualmente perco a paciência, perco a graça e perco a compostura, o outro ainda assim me ache linda e me admire.

Que o outro não me considere sempre disponível, sempre necessariamente compreensiva, mas me aceite quando não estou podendo ser nada disso.

Que, finalmente, o outro entenda que mesmo se às vezes me esforço, não sou, nem devo ser, a mulher-maravilha, mas apenas uma pessoa: vulnerável e forte, incapaz e gloriosa, assustada e audaciosa - uma mulher.


Sou essa mulher, Cláudia de pseudônimo, como tantas Marias da vida.

Espero ansiosa por esta noite, ou não, na fuga, dormir mais cedo para não dar tempo do sofrimento chegar.

Quem sabe volto aqui pra relatar uma outra esperança, feliz, condizente com o que busco.

Até...